A eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo de 2026, com a amarga derrota por 2 a 1 para a Noruega, não é apenas o fim de um ciclo esportivo ou a frustração do sonho do hexa. Para milhões de brasileiros, o gramado foi o espelho de um país que, nos últimos anos, confundiu identidade nacional com paixão desmedida por um símbolo, muitas vezes perdendo a razão no calor da disputa.
Por anos, vimos a camisa da Seleção ser sequestrada, deixando de ser um manto que unia a torcida para se tornar um uniforme de trincheira política. Entre gritos de gol e polêmicas de bastidores, esquecemos que a verdadeira “convocação” não acontece no campo de futebol, mas nas urnas. Agora, com o fim da jornada esportiva, o Brasil precisa, mais do que nunca, fazer a transição de seus símbolos. É hora de tirar a camisa do time, guardá-la no armário e vestir a lucidez necessária para o desafio que se avizinha.
Estamos em pleno julho, e o calendário eleitoral não perdoa. Em poucas semanas, a propaganda partidária ocupará o espaço que antes era das análises táticas. As eleições de outubro não são um torneio de mata-mata onde o perdedor desaparece por quatro anos; elas são a escolha do projeto de país que construiremos para a próxima década. Precisamos desarmar os ânimos, deixar o fanatismo de lado e olhar para os planos de governo com o mesmo rigor que exigimos de um técnico de futebol.
O futebol é, sim, parte fundamental da nossa cultura, mas não define a nossa cidadania. O sucesso ou o fracasso dentro das quatro linhas é efêmero; a qualidade da gestão pública, as políticas de educação, saúde e a economia são o que, de fato, determinam o nosso futuro e a nossa qualidade de vida. O silêncio que sucede a eliminação precoce nos oferece uma oportunidade rara: a chance de recolocar o Brasil no seu devido eixo.
A Copa acabou, mas o Brasil continua. A grande pergunta é: quando as urnas se abrirem, seremos capazes de escolher nossos representantes com a mesma paixão que dedicamos ao futebol, porém munidos de uma razão que, até agora, insistimos em deixar de fora do campo?
A direção

