Os EUA alteraram sua postura em relação aos países latino-americanos, o que está explícito nas declarações dos altos funcionários do governo, no plano de segurança nacional e no último vídeo postado pelo Departamento de Estado, que afirma que o domínio de Washington não será mais contestado na região.
Os EUA, que nunca deixaram de atuar como potência imperialista na América Latina, resolveram apertar as cravelhas na região para tentar manter uma reserva de poder estratégica diante do seu declínio mundial. É como se o país pensasse que é necessário garantir sua esfera de influência mínima para se manter relevante e, a partir dessa base, se reorganizar para assegurar seu papel hegemônico.
Assim, qualquer atitude de independência dos países latino-americanos – mesmo as mais tímidas – não pode mais ser tolerada. Somente governos que sejam completamente submissos e alinhados com os interesses de Washington são aceitos. É uma política de claro caráter colonialista, que vê a América Latina como “quintal” dos estadunidenses.
Intento que Donald Trump vem conseguindo realizar de maneira bem-sucedida. Em praticamente todos os países da região, os EUA conseguiram empossar presidentes submissos aos seus interesses. Em alguns, foi através do apoio a candidatos da extrema direita, com clara intervenção nas eleições; em outros, a intervenção se deu pela força e por ameaças.
Somente Brasil, México, Uruguai e Cuba mantêm governos que não são automaticamente alinhados a Washington. E se tornaram os principais alvos da política imperialista na região. O Uruguai, por ter um papel geopolítico menos relevante, não está no centro do furacão no momento (o que não significa ausência de intervenções), mas os outros três países estão sofrendo ataques e fortes pressões dos EUA e de seus países satélites.
Cuba sofre com o fortalecimento do embargo criminoso, que tenta sufocar a ilha de qualquer maneira – agora com a proibição de importar combustíveis, o que vem gerando apagões contínuos. O México vem sofrendo ataques constantes do governo estadunidense, inclusive com ameaças de invasão terrestre, sob a falsa justificativa de que se trataria de combate ao tráfico de drogas.
Já no caso do Brasil, nos últimos meses os ataques dos EUA vêm se intensificando: as novas tarifas; a tentativa de enviar funcionários para tumultuar as eleições; a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, para justificar futuros ataques ao país; a revogação do visto da embaixadora brasileira no país; e etc.
Essa postura dos EUA deixa entrever que suas ações não se limitarão aos ataques diplomáticos e econômicos, mas que devem desembocar em outras atitudes mais agressivas, que comentaremos na próxima coluna.