Domingo, 04 de outubro, eleições no Brasil. Também se completam três meses do falecimento de minha esposa, em 04 de julho, coincidentemente no dia de seu aniversário. Decidi votar em homenagem a ela.
Foi pastora na Igreja Metodista. O que faz um pastor, uma pastora, autênticos, que não tem por objetivo manipular a fé das pessoas em proveito próprio, principalmente financeiro? Diz Rubem Alves no livro O que é Religião, “viver dores e alegria de outros”. Não têm a vida centrada em si. Por definição, se preocupa com a salvação dos outros.
Por muito tempo salvação foi pensada para após a morte, para a eternidade. Mais recentemente chegou-se à compreensão, pela leitura dos Evangelhos, que essa salvação não é só para o além. Tem que ser para o agora, também. Especialmente em um lugar e tempo em que estruturas sociais rígidas e injustas condenam a imensa maioria à dor, ao sofrimento e ao choro, uma pequena parte vive relativamente bem e um grupo ainda menor, pequeníssimo, vive regaladamente. E em que os bens e riquezas acumulados são produzidos por quem não fica com nada.
Por isso, encarna como sua missão chorar com quem chora, consolar quem está desconsolado, sofrer com quem sofre, alegrar-se com quem se alegra, amar a todos e todas. E buscar alternativas para essa situação. Pessoais e estruturais.
Minha esposa foi assim. Cuidou de igrejas pequenas, comunidades muito carenciadas, como de migrantes da área rural buscando empregos de baixos salários em zonas industriais e em igrejas grandes, mas sem perder a perspectiva dos pequenos. Após um tempo, por questões internas da Igreja, perdeu o lugar institucional de pastora. E retomou uma atividade que já fazia há tempo, redirecionando sua vida para o cuidado de pessoas com deficiência, especialmente mães de pessoas nessa condição. Fez sua tese de doutoramento sobre esse movimento, publicada como “Da invisibilidade à Visibilidade – um olhar sobre a trajetória da Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência”. Fraternidade que iniciou cristã, mas acolhe pessoas de todas as religiões e sem religião.
Por toda essa trajetória, desenvolveu sensibilidade especial para uma espiritualidade profunda e envolvente, mas engajada com o aqui e agora e com a causa e as dores dos mais pequeninos. E foi reconhecida por isso, sendo chamada a coordenar os momentos de espiritualidade do Movimento Nacional de Fé e Política, no seu 13º Encontro Nacional.
Por toda essa trajetória, voto em sua homenagem. E como ela certamente faria, voto em Lula para Presidente, em Haddad para Governador e em Marina e Simone para Sanadoras. Ah! As mulheres! Ela sempre votava em mulheres.