Comunismo? Já era!

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

5 de Junho

As relações Brasil-Estados Unidos foram fortemente abaladas nos últimos dias. Primeiramente a classificação de facções brasileiras do crime organizado como narcoterroristas. Depois a volta de taxação de produtos brasileiros em 25%. Junto a isso, ameaças ao Pix.

A classificação como narcoterroristas, reivindicada pelo presidenciável do clã Bolsonaro, que abre a possibilidade de interferência direta de forças norte-americanas no Brasil, ocasionou diversos comentários de especialistas. Por exemplo, que essa medida já estava tomada pelo governo americano e ele aproveitou para, literalmente, ‘botar a cara na foto’ próximo ao anúncio, dizendo ser o responsável.

Comentários também, que ela mais favorece as facções do crime organizado do que as prejudicam. Isso porque, ao possibilitar a ingerência direta da CIA em investigações no Brasil, afasta a Polícia Federal dessa tarefa que executa com rigor. Pode-se, a partir daí, suspeitar sobre a quem a classificação favoreceu de fato. Leve-se em conta, por exemplo, as investigações sobre o Banco Master e os envios miliardários ao exterior sob diversos pretextos. Inclusive um certo filme.

Suspeitas. Porém é certo que se abriram brechas até mesmo para a interferência no sistema bancário do país. Quanto ao Pix, forma de pagamentos originariamente brasileira, desagrada o setor financeiro norte-americano ao eliminar a necessidade de cartões de débito ou crédito de bandeiras norte-americanas que lucravam com as transações.

Já a volta de taxação a produtos brasileiros tem incidência e prejudica muitos setores produtores e exportadores. Partes do agronegócio, mineração e outros.

São medidas que formam um pacote e não parece viável o candidato reivindicar interferência em uma e não em outras. Todas implicam na política interna do país. Se ele é responsável por uma, também o é pelas outras. E prejudica os próprios setores que sustentam sua campanha, ou seja, a direita e a extrema direita. Na ânsia pelo poder, vale até mesmo prejudicar os seus. Além do país inteiro.

E o comunismo? Não morreu. Nem como ideologia, nem como prática efetiva em diversas nações. Mas está deixando de ser o pretexto para interferir no Brasil e perseguir pessoas e grupos. Agora é o narcoterrorismo. Com um agravante. Qualquer área de uma cidade pode ser identificada como foco de narcotraficantes. E todos os habitantes do local podem ser prejudicados ou mesmo alvejados.

Medidas, portanto, que interferem diretamente na soberania nacional. E na sua vida, leitor ou leitora.

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com