É triste que o período eleitoral seja visto mais como oportunidade de acenar para os eleitores do que para os interesses genuínos da nação. É o caso de deputados federais e senadores, principalmente de direita ou extrema direita, que detém a maioria no Congresso, voltando às pautas-bomba.
Mesmo com as crises climáticas e imagens das enchentes no sul do país ou de barcos sem condições de navegar na Amazônia, como vistas recentemente, projetos de destruição ambiental prosseguem. Defendem que o progresso econômico é mais importante que a preservação.
Progresso para quem? Para poucos proprietários que enriquecem de forma escandalosa enquanto populações são expulsas e relegadas à miséria.
É o caso do projeto aprovado na Câmara Federal em 20 de maio, colocando em risco de devastação 40% da floresta no estado do Pará. Diante disso um cientista do clima afirmou que no Congresso Nacional existe uma bancada que trabalha incessantemente para não termos mais nenhuma árvore em pé no Brasil.
E em 10 de junho, o Senado aprovou o uso do Fundo Social do Pré-Sal para socorrer empresários endividados do agronegócio em consequência de calamidades. Que, aliás, eles mesmos provocam com as devastações. Mais dinheiro para os milionários. Menos para atender populações carentes.
Também no Senado, aprovada a suspensão da validade da norma do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) relativa ao aborto legal em caso de gravidez decorrente de estupro. Aborto é um tema complexo por envolver implicações religiosas e éticas. Porém chega a ser desumano obrigar uma criança ou adolescente vítima de estupro, geralmente praticado por familiar ou pessoa muito próxima, a levar ao cabo uma gestação na qual ela foi violentada e inclusive corre risco de vida.
Agora avança também, na Câmara Federal, a redução da idade penal, já abandonada em vários países por não resolver a questão da violência.
Assuntos com essa gravidade, remetendo a oportunismo político, nos levam a pensar que país queremos ser. Aquele em que tudo vale para manter ou alcançar posições de poder e econômicas, ou um país em que todas as pessoas sejam respeitadas por sua dignidade inerente e tenham acesso a condições de vida com trabalho, educação e saúde asseguradas.
Chamam, também, à responsabilidade em elegermos deputados federais e senadores comprometidos com a democracia, a soberania nacional e com uma nação para todos e todas.
E a Copa? Foi criada para congraçamento universal. Está sendo de prepotência, racismo e humilhação.