O encerramento do prazo de quem exercia atividades no Poder Executivo para deixar os cargos com vistas a concorrer nas eleições deste ano, no dia 04 de abril, abre oficialmente em alguma medida a corrida eleitoral deste ano. Principalmente governadores e ministros de Estado. Presidente e vice não se subordinam a essa regra.
O cenário nos permite observar que a polarização entre extrema direita e esquerda continua acirrada. Um dos efeitos dos desdobramentos da não aceitação do resultado eleitoral de 2014, que resultou no golpe contra a Presidenta Dilma em 2016 e na derrocada do PSDP, partido que rivalizava com o PT à época, foi o surgimento e afirmação da extrema direita que, em 2018, elegeu Jair Bolsonaro.
Esse é um dado fundamental da conjuntura poque requer uma distinção entre o que seja direita e extrema direita. O fator fundamental dessa distinção é a questão da democracia. Em linhas gerais, a posição de direita é aceitação do jogo democrático, o que significa aceitação do resultado eleitoral e a disputa dentro da normalidade institucional. Já a extrema direita se caracteriza por participar no jogo eleitoral, mas, no fundo, não aceitar as eleições e seus resultados, especialmente no caso de ser derrotada. Dois fatores revelam isso claramente: o permanente questionamento do processo eleitoral, às urnas eletrônicas por exemplo, e os acontecimentos de 08 de janeiro de 2023. Nesse quadro, desaparecem adversários e surgem inimigos políticos. Quanto aos adversários, há a disputa normal. Quanto a inimigos, eles têm que ser eliminados. Declarações recentes do principal candidato desse campo não deixam dúvidas quanto a isso.
Uma decorrência que não podemos deixar de observar é que o principal objetivo da extrema direita neste pleito não é ocupar a presidência da República, embora se empenhe nisso, mas ocupar principalmente o Senado para ali poderem interferir no Supremo Tribunal Federal, demitindo ministros, se apossando desse Poder e, desse modo, interferir, por meios tidos como legítimos, no Poder Executivo. É esquema testado e vigente na Hungria e em El Salvador. E que desejam implementar no Brasil.
Portanto, além de outros perigos para o campo democrático, como as fake news, a utilização da inteligência artificial e os algoritmos, que reproduzem aos milhões matérias mentirosas, o perigo maior que corremos nessas eleições, é democraticamente votarmos contra a democracia. Ou seja, votarmos em quem, na continuidade do processo, visa instalar uma ditadura.
Professor Luiz Eduardo Prates
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